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29 de julho de 2017

Amor e Ambição

Com sua beleza, inteligência e desenvoltura não é de se estranhar que a sociedade irlandesa acredite que Elizabeth Gunning uma humilde aspirante a atriz seja de origem nobre. 

Sua mãe espera de Elizabeth, que cative a todos em Londres e celebre um espetacular casamento, embora ela já tenha encontrado o amor de sua vida, John Campbell, o duque de Argyll.
John ama a garota de cabelos de ouro, mas sabe que não pode convertê-la em sua esposa porque ela não pertence à nobreza. A implacável ambição de sua mãe obriga Elizabeth a se casar com o duque de Hamilton, que só revela sua crueldade depois do casamento. 
Elizabeth consegue superar a possessividade e os maus tratos de Hamilton graças a sua fortaleza interior e ao amor incondicional que sente por Campbell. A paixão que cresce entre ambos começará a consumi-los… Se Hamilton chegar a descobri-la, suas vidas correm perigo.

Capítulo Um

Condado de Roscommon, Irlanda, 1751
Um esplendoroso raio de sol momentaneamente refletido na água o cegou; em seguida, em um abrir e fechar de olhos, uma radiante aparição surgiu ante ele. ― É real ou um espírito do bosque? Perguntou-se.
A moça era esbelta e delicada, havia nela algo etéreo. Enquanto olhava o sol formou uma auréola gloriosa em torno da sua cabeça, e sua reluzente cabeleira, que caia em uma cascata de cachos além da cintura, adquiriu a cor de ouro puro. 
Em meio da erva crescida na ribeira, libélulas e outros insetos diminutos de asas transparentes agitavam-se ao seu redor, como partículas de pó elevando-se das plantas silvestres. Teve a nítida impressão de que se fizesse algum movimento, ou falasse, romperia o feitiço e ela se esfumaçaria, como que por mágica.
John Campbell, incapaz de outra coisa, não pode deixar de citar uma frase de Um Sonho de Uma Noite de Verão.
― Nós veremos a luz da lua. Gloriosa Titânia! A Rainha das fadas virou a cabeça para lhe olhar.
― O quê, ciumento Oberon? Elevou uma mão displicente até as libélulas. ― Fadas, escapem daqui. Em seguida levantou o queixo e olhou para longe dos olhos dele, desdenhosa, ― Jurei abandonar o teu leito e a tua companhia. O homem alto e magro deu um passo até ela e declamou a frase de Oberon:
― Espera, temerária imprudente! Não sou eu acaso o teu senhor? Titânia sorriu e lhe fez uma reverência.
― Então, eu hei de ser a sua senhora.
Ele percorreu a distância que os separava com duas passadas, e rindo, tomou suas mãos entre as suas.
― Que demônios faz um formosa senhorita inglesa sozinha no meio da campina irlandesa?
Ele era moreno e perigoso, mas nesse momento o olhar dela se pousou sobre a vara de pescar e a cesta que, de maneira descuidada, pendurava de seus ombros.
― Vivo aqui ― disse ― Vim ao Suck pescar salmões, igual a vós, senhor. Acompanhe-me, e os ensinarei um bom lugar. Segui-a fascinado até um lugar em que os salgueiros se inclinavam tanto sobre a beira do rio que submergiam seus ramos chorosos na água. Ali se sentou a seu lado e lançou a vara. A encantadora criatura era um mistério que não conseguia entender. Apesar de ir descalça e levar um vestido gasto e folgado que de maneira vergonhosa deixava ver seus tornozelos, se expressava em inglês culto sem dúvida.
― Não tens sotaque irlandês.
Fingindo uma confiança que estava longe de sentir, a jovem cruzou as pernas, inclinou a cabeça e começou uma cantiga: Na bonita cidade de Dublin, onde as garotas são tão bonitas, comecei a pôr os olhos na doce Molly Mallone, que pelas ruas largas e estreitas empurrava seu carrinho de mão ao mesmo tempo exclamava em voz alta:
“Berbigões e mexilhões vivinhos e balançando!”
Seu sotaque irlandês era rico e genuíno; seu canto, doce e melodioso. Trocou do sotaque irlandês ao escocês em um instante, quando lhe disse:
― Noto uma leve diferença em seu falar, rapaz. Parece-me que você passou algum tempo na Escócia.
Não sabia ela até que ponto era certa essa sua observação. Havia passado tanto tempo na Escócia!
Quando havia estalado a rebelião dos jacobinos para remover o rei, seu pai detinha o comando de todas as guarnições do oeste da Escócia. E ele havia lutado junto ao seu pai e o filho do rei, o duque de Cumberland, em Invernary, depois em Peth, e por último na terrível batalha de Culliden, onde a rebelião foi definitivamente vencida.
John afastou os seus pensamentos da guerra e lhe sorriu.
― Minha mãe é escocesa.
Então ela se, pois a contar uma piada sobre escoceses e o que levavam debaixo do kilt. O tema foi subindo de tom, e John sentiu um repentino desejo de tomar em seus braços aquela boca deliciosa pra fincar-lhe o dente. Ela sorriu. Seus cílios dourados baixaram até roçar-lhe as bochechas e logo se levantaram para descobrir o impacto de seus olhos violetas.
― Estudei para subir aos palcos. (Quando se colocava em um papel e atuava era capaz de ocultar sua profunda timidez). ― Vou ser atriz! ― Exclamou, dando-se importância.
John Campbell suspirou de alivio. Bendito fosse São Patrício, não se encontrava diante de uma dama, se não de uma atriz, o que a convertia em presa de caça e sedução.
― Quantos anos têm?
― Dezesseis quase dezessete… ― Já sou mocinha. Assegurou-lhe. ― Quantos anos vos têm senhor?
Ante aquela inapropriada pergunta, formulada com toda naturalidade, o homem, divertido, levantou as comissuras dos lábios.
― Tenho vinte e oito anos e todos os meus dentes.
― Tens nome, senhor? A fina senhorita inglesa havia voltado.
― Me chamo John ― não lhe disse o sobrenome ― e como já haveis adivinhado, estou na Irlanda para pescar… e caçar.
 










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