1 de março de 2015

Armadilha de Amor

Saga da família Lester







Harry Lester interessado em cavalos era um libertino confesso.

Depois de que na juventude teve seu coração menosprezado pela mulher a quem amava, não tinha intenção de voltar a apaixonar-se e, muito menos, de deixar-se apanhar nas teias do matrimônio.
Pouco depois de que por pura sorte sua família teve uma drástica mudança em sua situação financeira, tornou-se um alvo das casamenteiras decidiu abandonar Londres fugindo para Newmarket, lugar que se notabilizavam pelas famosas corridas hípicas.
Estava chegando quando encontrou acidentalmente com Lucinda Babbacombe, uma bela viúva de sólida situação financeira.





Saga da família Lester
1. As Razões do Amor
2. Um Futuro de Esperança
3. Armadilha de Amor

Os Caminhos do Coração






Um amor para sempre

Quando o destino... e um impulso cavalheiresco... convergem para colocar no caminho do visconde Ashley Desford, a graciosa e encantadora Cherry Steane, uma jovem abandonada que vive da caridade de parentes, a quem mais ele poderia recorrer em busca de ajuda senão sua amiga de infância, Henrietta Silverdale? Afinal, embora tenham rompido o noivado anos atrás, Ashley e Henrietta nunca deixaram de ser amigos.
Contudo, enquanto Ashley sai à procura do avô sovina de Cherry e de seu irresponsável pai, visitando lugares não muito bem frequentados, Henrietta se pergunta se ele, finalmente se deixou atingir pela flecha do amor. No entanto, sem a oportuna intervenção de seu irmão Simon e do honrado pretendente de Henrietta, Ashley pode estar prestes a cometer a maior tolice de sua vida...

Capítulo Um 

Inglaterra, 1825
Para um homem de idade avançada, sofrendo de dispepsia e violentas crises de gota, obtendo algum prazer somente quando suas dores eram aliviadas, o conde de Wroxton se divertia na medida do possível. Ultimamente estava concentrado na agradável tarefa de desenvolver uma diatribe sobre os defeitos do seu herdeiro. Para uma pessoa sem experiência na arte da crítica, a tarefa certamente parecia injusta, pois o visconde Ashley Desford possuía todos os atributos de um filho que seria motivo de orgulho para qualquer pai. Somando-se ao belo semblante, e uma figura ágil e atlética, ele tinha modos afáveis provenientes tanto de uma amabilidade inata, quanto da criação. 
Tinha também um considerável histórico de paciência e senso de humor que transparecia em um sorriso, que brotava dos olhos, considerado por muitos, irresistível. Seu pai não fazia parte deste grupo. Aliás, considerava o status irritante.
Era mês de julho, mas o tempo estava tão distante do abafamento esperado para a estação, que o conde mandou acender a lareira da biblioteca. Sentados um de cada lado da lareira, estava o conde, com um pé enfaixado sobre um banquinho, e seu filho, após ter discretamente afastado a cadeira do calor emitido pelas brasas. Ashley usava paletó, calça de camurça e botas de cano alto, um perfeito traje matutino para qualquer cavalheiro em estada no campo. 
A elegância derivada do corte do paletó e do arranjo do lenço de pescoço deu ao pai uma desculpa para classificá-lo como um desprezível almofadinha. Ao que ele reagiu com um protesto moderado.
— Não, não, Sir! Um verdadeiro dândi ficaria chocado ao ouvir isso!
— Concluo, então, que você se considere um coríntio.
— Para ser honesto, Sir, não me considero nada! — discordou Ashley. Esperou por um momento, observando tanto com empatia quanto com divertimento o ranger de dentes do pai, antes de completar em tom bajulador. — Agora diga, o que fiz para merecer uma repreensão sua?
— Não seria melhor indagar o que fez para merecer um elogio meu? Nada! Você é um cabeça de vento! Um falastrão, que se importa com o próprio nome tanto quanto um plebeu qualquer! Um perdulário. Não precisa me lembrar de que não depende de mim para gastar com os cavalos, apostas e bocados de musselina, pois não me esqueci que aquela maluca da sua tia-avó deixou toda a sua fortuna para você, por meio de uma carta branca para que você possa cometer todo tipo de extravagância tola. 
Não posso dizer mais nada, uma vez que ela era tia de sua mãe. — Wroxton fez uma pausa, lançando um olhar desafiador ao filho.
— Certamente, papai!
— Se ela tivesse estipulado que a fortuna deveria ser usada apenas para o sustento de sua esposa e família, eu consideraria o legado adequado — anunciou Wroxton. — Não que na época, ou neste exato momento, eu não possa aumentar a sua mesada para que você tivesse condições de arcar com as despesas de um homem casado.
Outra pausa se seguiu. Pressentindo que o pai esperava algum comentário, disse educadamente que lhe era muito grato.
— Ah, não é não! — retrucou Wroxton. — E quer saber mais? Só acreditarei na sua gratidão quando me der um neto, não importa o quanto a fortuna da sua tia queime no seu bolso. Belo bando de filhos eu tenho! 
— De repente o alvo da revolta foi ampliado. — Nenhum de vocês se importa com a linhagem da família. Na minha idade, eu esperava ter um bom número de netos para alegrar meus últimos dias. Mas eu tenho algum? Não! Nenhum!


Viagem ao Paraíso



Naquela viagem ela encontrou o perigo...E o Amor!

Ao fugir do padrasto que pretende obrigá-la a se casar com um homem que ela detesta, Shenia Winterton emprega-se como secretária do marquês de Chilworth.
Com o propósito de colher dados papa o livro que pretende escrever, o marquês parte em seu iate para uma viagem por diversos países e leva Shenia consigo. Começa a nascer entre Shenia e o marquês uma grande afeição. Ao chegarem ao Egito, entretanto, algo inesperado acontece...A vida de Shenia corre perigo... Mas o que será mais forte?A maldade ou o amor?

Capítulo Um

Inglaterra, 1876
Depois de passar uma semana no condado de Essex, na casa dos pais de uma colega de internato, Shenia Winterton teve de voltar para Londres.
Recebera pela manhã uma carta da mãe pedindo-lhe que voltasse para casa. Um trecho da carta dizia:
“Você deve lembrar-se de que assumiu compromissos sociais e seria indelicadeza de sua parte cancelá-los.
E o mais importante, minha filha, é que seu padrasto e eu vamos oferecer no próximo sábado, na Winterton Park, uma recepção para vários amigos. São pessoas por quem temos grande estima, querida. Algumas querem conhecê-la e outras estão ansiosas para revê-la, uma vez que você esteve durante mais de quatro anos estudando fora ou viajando pelo Continente.
Apesar de você ter voltado para casa há mais de três meses, não tem ficado muito em Londres, tampouco em nossa casa de campo”.
A vontade de Shenia era continuar em Essex, mas seu amor filial fez com atendesse ao pedido da mãe. Arrumou a bagagem e retornou a Londres no luxuoso coche que os pais de sua amiga providenciaram.
Durante a viagem, Shenia pensou no motivo que levara o padrasto a convencer a esposa a oferecer aquela recepção. Sua intuição lhe dizia que o convidado de honra seria o conde de Harrington, e era justamente Sua Senhoria quem Shenia menos desejava encontrar.
O conde tornara-se amigo do coronel Lockwood, padrasto de Shenia, porque ambos tinham uma paixão em comum: cavalos de raça. Os dois possuíam puros-sangues magníficos, vencedores de várias corridas importantes.
O coche parou na frente de uma casa majestosa, na Park Lane, e Shenia desceu do veículo.
Jarvis, o mordomo, abriu a porta e cumprimentou-a com um sorriso.
— Boa tarde, srta. Shenia. E um grande prazer vê-la de volta. Sentimos sua falta.
— Estou exausta, Jarvis. Fui a uma festa atrás da outra — disse Shenia. — O que eu mais quero é dormir horas a fio.
— Deve fazer isso, senhorita. Deitar tarde noites seguidas é extremamente desgastante.
— E compromete a beleza. Pelo menos é o que sempre ouvi dizer — Shenia acrescentou, rindo.
— E verdade — Jarvis concordou. — Mas a senhorita é jovem e não precisa se preocupar. Aliás, sabemos que a senhorita fez o maior sucesso nos bailes. Mas agora que está em casa, nada melhor do que muitas horas de descanso para voltar a sentir a disposição de sempre.
Era bem próprio de Jarvis dizer isso. Seus cuidados com Shenia eram genuínos. Não podia ser diferente, uma vez que ele começara a trabalhar naquela casa quando Shenia nascera.
— Mamãe e meu padrasto já voltaram de Winterton Park?
— Lady Margaret e o coronel Lockwood avisaram que chegarão amanhã para o almoço — Jarvis respondeu. — Bem, senhorita, vou mandar dois lacaios levarem a bagagem para seu quarto. Judith já está à sua espera.
— Obrigada, Jarvis. Você pensa em tudo — Shenia agradeceu ao mordomo e afastou-se.
Subiu a escada e foi para o quarto mergulhada em suas reflexões. A intenção do padrasto era casá-la com o conde de Harrington. A simples ideia provocou-lhe um arrepio por todo o corpo.
Jamais lhe ocorrera, por um momento que fosse, que o conde prestara atenção nela quando se conheceram numa recepção. De repente, o padrasto passara a convidá-lo com frequência, tanto para jantares e festas na casa da Park Lane, como para ir à Winterton , Park, a casa de campo que ficava no condado de Kent.
Shenia entrou no quarto e Judith, sua criada pessoal, uma senhora de meia-idade, depois de cumprimentá-la disse, solícita:
— Já preparei seu banho, srta. Shenia. Vejo que está cansada, o que não é de admirar. Certamente você foi a inúmeros bailes em Essex.
— Acertou, Judith. Ah, que semana animada! Foi tudo maravilhoso!


A Herdeira






Estela Brome nunca imaginou que o doce sonho de participar de um baile, dançar com atraentes rapazes e depois receber um emocionante pedido de casamento caminhasse ao lado de um sórdido sentimento de ambição.

Desencantada, logo percebeu que os elogios que recebia não eram para a meiguice de seu sorriso ou o brilho de seus olhos azuis. 
A notícia de que herdara enorme fortuna fazia os caça-dotes se aproximarem com um único objetivo: seu dinheiro! 
Estela só tinha uma saída: desistir da fortuna para ter a chance de conhecer o verdadeiro amor.

Capítulo Um

1885
— Sinto muito, mas a resposta é não! Apesar do tom muito baixo da voz, as palavras soaram firmes e determinadas.
Lorde Charles Monte olhava para Estela com franca perplexidade.
— Está me dizendo que se recusa a aceitar meu pedido de casamento?
Estela se limitou a assentir com um movimento de cabeça.
— Será que não percebe que assim que meu tio morrer, o que não deve demorar a acontecer devido a seu precário estado de saúde, eu herdarei seu título de duque?
— Muitas pessoas já me disseram o mesmo — Estela respondeu com um sorriso.
— E assim mesmo continua recusando. Posso saber o por quê?
— Porque não te amo e sinto que você também não me ama.
— Não é verdade — lorde Charles se apressou a contradizê-la. — Eu te amo, Estela. Se não gostasse de você, não desejaria tê-la como esposa.
Seguiu-se um longo silêncio, interrompido por fim, por Estela.
— Teria pensado em pedir minha mão em casamento caso eu não fosse rica?
O embaraço de lorde Charles não lhe passou despercebido. No entanto, como se seu caráter o obrigasse a se mostrar autêntico e responder com igual sinceridade, respondeu:
— A verdade, Estela, é que minha família não daria sua aprovação caso eu resolvesse me casar com alguma moça que não tivesse dinheiro.
— Eu tinha certeza que o motivo era esse. O fato de eu ser muito rica os convenceu de que eu seria uma boa duquesa.
— Sua concordância os faria felizes. Quanto a mim, Estela, sinto realmente que poderia dar certo entre nós.
Ela tomou a negar.
— Não me casaria com você sem que estivéssemos apaixonados um pelo outro.
— Tenho certeza de que poderei ensiná-la a me amar.
— E durante todo o tempo pensaria no quanto nosso casamento foi providencial. Não, Charles, não pode ser, Eu não suportaria conviver com a idéia de que foi o meu dinheiro e não a minha pessoa quem te atraiu. Não suportaria me tomar apenas a chave do sucesso de seu tão esperado ducado.
Lorde Charles se levantou da cadeira e se pôs a andar de um lado para o outro da sala.
— Quando resolvi procurá-la, hoje, não imaginei nem por um momento que viéssemos a entabular uma conversação tão difícil e constrangedora.
— Eu estava ciente da razão de sua visita — Estela confessou — , por isso achei melhor usar de franqueza.
— Mal consigo acreditar que esteja falando sério. E a primeira garota que já conheci que não ambiciona um título de nobreza. Qualquer outra mulher daria tudo para se tomar uma duquesa.
— Então sou uma exceção — Estela declarou com uma pitada de ironia na voz. — Melhor para você. Dessa forma encontrará uma noiva muito em breve. Tenho certeza de que há muitas garotas prontas para aceitá-lo, mesmo que um título de duquesa seja a única coisa que tenha a lhes oferecer.


Quando o Sol Brilhar








Ivan, duque de Lavenham, ao descobrir que Penélope, a bela debutante que ele pretende desposar, não o ama, é fútil, leviana e deseja apenas tornar-se uma duquesa, toma a única decisão para um homem de fibra: rompe o noivado.

Mas ela não desiste de seu intento e passa a perseguir Ivan. 
Para livrar-se da ex-noiva, o duque propõe a Lavínia, uma moça pobre e órfã, que passe por sua noiva.
Mas Ivan não imagina em que teia de intrigas ele está entrando...

Capítulo Um

Inglaterra: Londres, Istambul; Grécia 
1880
Naquela manhã, o duque de Lavenham desceu mais tarde do que o normal para o breakfast que estava preparado havia algum tempo.
Ele comparecera, na véspera, a uma festa muito animada, onde permanecera, ao contrário do que era seu costume, até o fim da mesma.
Dessa forma, quase ao clarear o dia, voltara para sua majestosa casa, na Park Lanfe, da qual se tinha uma bela vista do Hyde Park.
Entrando na sala de desjejum, um cômodo aconchegante, voltado para o gracioso e bem-cuidado jardim aos fundos da casa, e esplendorosamente iluminado pelo sol da manhã, o duque sentou-se à mesa. Suspirou ao ver a grande pilha de correspondência deixada pele sr. Morgan, seu secretário.
Eram cartas particulares que o sr. Morgan separava e deixava à disposição de Sua Alteza, assim que chegavam.
O mordomo e dois criados apressaram-se para atender o patrão. Enquanto lhe era servido o chá, sua bebida predileta pela manhã, o duque examinou rapidamente os envelopes e reconheceu a caligrafia de pelo menos, três das cartas, todas enviadas por admiradoras.
Alto, de porte atlético, cabelos negros, olhos verdes, Ivan, duque de Lavenham, era extremamente belo e, aos vinte e oito anos, estava na sua melhor forma.
Não só as mulheres, mas também os amigos de Sua Alteza, não raramente, comentavam:
— Chega a ser injusto, Ivan, um homem possuir tantos atributos! Além do mais importante título de nobreza, você tem uma imensa fortuna, e a sua aparência é a de um Apoio. Quem mais poderá competir com você?
Lisonjeado, o duque sorria e, de fato, considerava-se um homem extremamente favorecido pela sorte.
Seu pai, embora tivesse herdado o título de sétimo duque de Lavenham, herdara também dívidas e lutara com dificuldades financeiras até se casar com a filha de um conde riquíssimo.
Graças a seu talento para negócios, disposição para o trabalho e muito bom senso, o sétimo duque multiplicara a fortuna do sogro e a própria, vindo a ser, por sua vez, multimilionário.
Pouco depois de Ivan tornar-se o oitavo duque, tendo herdado propriedades e a imensa fortuna do pai, recebera também considerável soma de um de seus padrinhos.
Nessa ocasião, Ivan cansara-se de ouvir de todos os que o conheciam praticamente as mesmas palavras, ditas com assombro:
— Lavenham, você é o maior felizardo do mundo!


27 de fevereiro de 2015

O Destino de Coraline Smith







Coraline Smith decidiu que quer estudar em Oxford.

Sempre lhe interessaram os livros, o saber, mas também o esporte, em especial o incipiente futebol.
O único pequeno problema é que uma mulher não pode estudar nessa universidade, não pode ter haver com o masculino ambiente futbolístico. 
Então, faz o que qualquer garota faria; corta o cabelo, usa umas costeletas falsas, consegue um trabalho de cronista esportivo, ingressa na universidade sob o nome falso do Corl Smith.
Tudo vai bem até que se topa, literalmente, com David Flint, um professor e capitão do novíssimo selecionado inglês.
Davis Flint é um dos professores mais destacados de Oxford, reconhecido por seus pares e entusiasta treinador e jogador da seleção inglesa de futebol. 
Sua vida gira em torno dos livros e ao campeonato que se disputa entre a Inglaterra, Irlanda, Gales e Escócia. Nenhuma mulher o afastou jamais desse universo que construiu. Então, não entende os sentimentos que começa a desenvolver por esse moço um tanto feminino, que estuda em Oxford, que vai aos treinamentos, que bebe cerveja com eles, que se faz chamar Corl Smith. Sabia que ela não era desse tipo de mulher. Não. Ela somente se disfarçava de homem. 

Capítulo Um

 “Desastre irlandês 26 de janeiro passado deu inicio a atual edição da British Home Championship, torneio de futebol no que participam as seleções nacionais da Inglaterra, Escócia, Irlanda e Gales.
A primeira partida do campeonato teve lugar no Ulster Cricket Ground do Belfast. Enfrentaram-se as equipes da Irlanda e Escócia.
 Apesar de jogar em casa, frente a seu público, Irlanda não pôde levar a iniciativa do jogo, mas sim se viu superada em todo momento por uma excelente seleção escocesa, que assinou um grande início de campeonato.
Devido às intensas chuvas de dias anteriores, o estado do campo não era o mais idôneo. Com tudo e depois do chute inicial, Escócia interceptou a bola e desfrutou do jogo ao longo dos noventa minutos, ante a inoperancia rival.
Brilhou graças a uma técnica depurada e um toque de bola rápido e preciso. O primeiro gol se produziu no minuto dezessete, depois de uma jogada embaralhada dentro da área local. John Gouide conseguiu abrir o marcador e encarrilhar a partida depois de um golpe certeiro com a perna direita, com o que bateu ao goleiro irlandês.
Sobre tudo, terá que destacar as atuações dos dianteiros James Gossland e William Harrower que, com dois gols cada um, conseguiram um resultado final para sua equipe de cinco gols a zero.
Cabe mencionar ao J. C. Miller, o melhor interior escocês que, apesar de não marcar, foi dos mais destacados do encontro. Recém começando o campeonato, ainda é cedo para dizer quem será o vencedor, mas sim posso assegurar que, se a Irlanda não trocar de atitude e de tática de jogo, podemos apostar seguramente a que será o último no campeonato.
C.S. The Manchester Guardian, segunda-feira, 28 de janeiro de 1884.” 
 — Maldição! —exclamou Coraline quando ouviu o gongo do relógio— Está se fazendo tarde. —Fechou o periódico e o deixou em cima da mesa, de uma vez que apurava sua taça de chá— Tenho que ir, avó. —Empurrou a cadeira para trás, com um ruído. 
A senhora Atkinson observou com horror como se levantava sua neta da mesa.
 — Coraline, não seja mal educada! Essa não é forma de tomar um chá. —Deu um sorvo delicado de sua própria taça — Nem de levantar-se de uma mesa — acrescentou enquanto a olhava por cima dos óculos. 
— Sim sei — concordou resignada a jovem — perdoa. —Deu-lhe um beijo na têmpora, sem lhe dar mais importância — Tentarei melhorar, prometo-lhe isso.
 — P... mas o que é que tem posto? — exclamou a senhora Atkinson, escandalizada.
 — Agora não tenho tempo — gritou Coraline da porta — lhe explicarei isso tudo mais tarde. Quero-te, avózinha. Adeus!
A honorável senhora Atkinson não ficou mais remédio que manter sob controle seu estupor, se queria evitar as fofocas do serviço. Alguém tinha que guardar o decoro na família, assim que o melhor que podia fazer era terminar seu agradável café da manhã da forma mais elegante possível. Já teria tempo de descobrir o que trazia entre mãos sua neta. — Ah! — suspirou a mulher em voz alta — Essa menina saiu igualzinha ao escocês de seu pai. Não possui uma só gota do sangue inglês de minha querida filha. Susan deveria ter vigiado mais à menina. Pobre da minha filha, o que estará padecendo entre tantos selvagens.
Coraline não escutou nem um só lamento do que dizia sua querida avó, mas podia imaginá-los. Mantinha toda sua atenção em subir os degraus de dois em dois, sem matar-se.
Fazia seis meses que tinha elaborado o plano e, por fim, tinha chegado o grande dia. Tinha conseguido que seus pais a enviassem a casa de sua avó, Annabel Atkinson, e a deixassem sob sua tutela.
Sua mãe, ao princípio, tinha estado em desacordo por ter que separar-se de sua preciosa filha, mas, depois de refletir mais ou menos durante três minutos, tinha concluído que era a melhor opção. Sobre tudo ao ter em conta o estranho comportamento que Coraline tinha tido os últimos meses. 
Decidiu que não lhe viria nada mal a influência de sua avó, uma inglesa de alta berço. Além disso, elas se adoravam e passavam pouco tempo juntas por certas circunstâncias familiares. Entretanto, custou-lhes um tremendo esforço convencer ao pai.



A Chama de um irresistível Amor



“O seu interesse, por mim, uma simples criada, senhor marquês, é chocante”, declarou Nenta, os olhos brilhando de agressividade ,”ainda mais que o senhor é um homem casado!”

O jovem marquês sorriu, divertido, e replicou

“Se quer mesmo fazer o papel de tímida donzela, não posso impedi-la, mas você também não pode me impedir de tentar descobrir seu passado. 
E eu vou desvendar esse mistério, porque você é minha prisioneira… prisioneira do meu amor!”.
Nerita queria fugir, mas como escapar do círculo de fogo que a consumia nas chamas dessa louca paixão?

Capítulo Um

1889
— Isto quer dizer — declarou lorde Dunbarton, com certa solenidade — que lhe resta apenas o dinheiro que sua avó lhe deixou, mais ou menos cem libras por ano, e suas jóias.
Fez-se silêncio e então Nerita indagou timidamente:
— E… é tudo?
— É desnecessário lembrar, Nerita, que seu pai faliu antes de morrer, e tudo o que ele possuía pertence a seus credores.
— Tudo?
— Sim, as casas e tudo o que elas contém, o que restou de sua fortuna, suas roupas e tudo o mais que ele possuía.
— Não me parece justo…
— Não lhe parece? E se acha injusto, como imagina que sua tia e eu nos sentimos? Afinal de contas, gozamos de uma certa posição na sociedade e na qualidade de chefe da família sinto-me abismado. . . sim, abismado é a palavra correta… diante do modo como seu pai nos lançou no descrédito.
— O senhor sabe muito bem que papai não agiu com essa intenção.
— Imagino que não, mas ele criou uma publicidade muito negativa em torno de seu nome, devido à maneira pela qual dilapidou sua imensa fortuna. Fracassar dessa maneira é uma lição para todos aqueles que jogam, quer se trate de cartas de baralho ou de especulações na bolsa.
Nerita manteve-se em silêncio, por demais atônita diante do que tinha acontecido nas duas últimas semanas para apresentar qualquer defesa em relação a seu pai.
Claro que ele não tinha tido a intenção de provocar aquela tragédia.
Mas era um traço muito característico de sua personalidade não enfrentar os fatos.
Em vez disto, suicidou-se dramaticamente, deixando uma carta em que se desculpava perante todos que haviam confiado nele. Para sua filha, destinou uma carta muito especial.
Quem teria imaginado, sequer por um momento, que o Intrépido Dunbar, como era conhecido em todas as bolsas de valores do mundo, passasse por um desastre financeiro em uma fase em que a Inglaterra gozava da maior prosperidade?
Houve um tempo em que as pessoas diziam, bem humoradas:
— Quando Dunbar se mete em um negócio, isto quer dizer que o império vai muito bem!
Nerita encontrava-se em Roma quando foi chamada de volta à Inglaterra por um telegrama lacônico que lhe dizia:
“Volte imediatamente para casa. Urgente. Tio Henry”.
Achou que seu pai encontrava-se doente demais para comunicar-se diretamente com ela, mas, bem antes de chegar, lívida e apreensiva, à casa de seu tio, em Belgrave Square, ficou sabendo o porquê daquela convocação sumária.
Foi-lhe difícil e quase impossível compreender que todo o seu mundo havia desmoronado.
Amava seu pai e confiava nele com aquela fé e abandono que as crianças demonstram em relação a um ser muito amado e no qual centralizam toda a sua existência.
Após a morte de sua mãe, ocorrida havia três anos, aproximaram-se muito, mas sir Ralph Dunbar, decidido a fazer tudo pela filha, insistiu que ela deveria completar sua educação.
— Quero que você domine perfeitamente vários idiomas. Como você bem sabe, eu apenas me dou com pessoas inteligentes, nos vários países em que viajo. Quero que a admirem, querida, não somente por sua beleza, mas também por sua inteligência.

Paixão da Governanta




Ela não se renderia… A governanta Serena Barton tinha sido despedida de seu posto três meses atrás. 

Como não podia encontrar outro emprego, optou por exigir compensação ao homem culpado de sua demissão, um duque mesquinho, egoísta e canalha. Mas não era ao duque ao que temia, a não ser a sua mão direita, o homem conhecido como o Lobo de Clermont. 
O temível ex-pugilista havia conseguido má fama resolvendo os assuntos sujos do duque e, embora Serena soubesse que não poderia nada contra ele, tinha que tentá-lo, pois estava em jogo todo seu futuro. 
Ele não podia ceder… Hugo Marshall era ambicioso e desumano, característica que lhe tinham servido para subir de filho de um mineiro de carvão a mão direita de um duque. 
O dia que seu chefe lhe ordenou que se livrasse da irritante governanta por bem ou por mal, para ele era só um dia mais de trabalho. 
Infelizmente, não conseguiu convencer Serena por bem e, à medida que foi conhecendo-a, descobriu que não era capaz de fazê-lo por mal. Mas só poderia satisfazer suas ambições se ela se fosse. Tinha que escolher entre a vida que procurava e a mulher a que tinha começado a amar.

Capítulo Um

Londres, outubro de 1835
Acima a porta da Biblioteca se fechou com tal fúria que sacudiu até o marco. Uns passos ruidosos cruzaram a estadia e se aproximaram do escritório de Hugo. E punhos fortes golpearam a superfície de madeira. —Maldita seja, Marshall! Tem que arrumar isso.
Apesar do dramatismo dessas palavras, Hugo Marshall não levantou a vista de seus livros, mas sim esperou em silêncio, escutando o ruído das botas sobre o tapete. Não era um criado e se recusava ser tratado como tal. Sua paciência se viu recompensada um momento depois.
—Arruma-o, por favor — murmurou o duque de Clermont. Hugo elevou a cabeça. Um observador não treinado fixaria sua atenção no duque de Clermont, aparentemente no comando, resplandecente com um colete tão bordado em ouro que quase fazia mal à vista. 
Esse observador desdenharia ao apagado senhor Marshall, embelezado como ia com uma indumentária cujo leque de cores oscilava do marrom ao marrom mais escuro. A comparação não se deteria no vestuário. O duque era respeitavelmente volumoso sem chegar a ser gordo; tinha rasgos patrícios afiados e aristocráticos e uns olhos azuis vivazes aos que parecia que não lhes escapava nada. 
Um observador não treinado, que comparasse isso com a expressão anódina e o cabelo cor arenosa de Hugo, chegaria à conclusão de que o duque estava no comando. Esse observador não treinado seria, na opinião de Hugo, um idiota. Hugo deixou a pluma em seu lugar. 
—Não era consciente de que teria que arrumar nada — além do assunto de Sua Excelência a duquesa—. Quer dizer, nada que entre dentro de minhas atribuições. Clermont se encrespou visivelmente, com uma energia nervosa. Esfregou-se o nariz de um modo que tinha muito pouco de educado.
—Há algo mais. Surgiu esta manhã — olhou pela janela com o cenho franzido. A biblioteca da mansão de Clermont em Londres estava situada no segundo piso e não tinha uma vista chamativa. Pela janela se via somente a praça de Mayfair. 
O outono havia tornado marrons e amarelas as folhas verdes das árvores. Umas partes de ervas secas e uns quantos matagais opacos rodeavam um único banco de ferro forjado, no que se sentava uma mulher. 
Tinha o rosto oculto por um chapéu de asa larga decorada com uma fina fita rosa. Clermont apertou os punhos. Hugo quase pôde lhe ouvir chiar os dentes. Mas a voz do duque soou indiferente. 
—Se me negar a ceder às ridículas exigências da duquesa, te ocupará de arrumá-lo tudo, não é assim? — perguntou. Hugo o olhou com severidade. 
—Nem o sonhe, Excelência. Sabe o que há em jogo. O duque cruzou os braços com ar de desafio. Verdadeiramente, não compreendia a situação; aí estava o problema. 
Era um duque e os duques não sabiam o que era economizar. Se não fosse por Hugo, as grandes propriedades de Clermont teriam se arruinado anos atrás sob o peso das dívidas. 
Em qualquer caso, seguiam flutuando pelos cabelos… e isso só graças ao recente matrimônio do duque.
—Mas é tão pouco agradável! 



Baía da Escocesa



Capítulo 1

Inglaterra, 1820

A chuva o estava encharcando e Adam Brenton, Visconde de Teriwood, sentiu frio. Um frio espantoso. Mas não pelo ar gélido, que formava redemoinhos com sua capa ao redor de suas pernas, mas pelo cano negro apontado a sua cabeça.

Sobrepondo-se ao assombro que o paralisava e tentando conservar a calma, olhou o sujeito que apontava a pistola. Um músculo lhe contraiu junto ao lábio superior, único indício que sentia a pressão do medo. Deu uma olhada rápida às longínquas e difusas figuras que trabalhavam sem descanso um pouco mais à frente.

Agora, pouco lhe importava o ir e vir dos marinheiros que descarregavam na praia, ainda que soubesse que eram contrabandistas. Não era uma ocupação incomum naqueles tempos. Muitos traziam mercadorias da França, e as autoridades, tão necessitadas de certos artigos quanto o povo, olhavam para o outro lado.

Mas naquela ocasião, não se tratava somente de contrabando. Não, ao menos, para o homem que agora lhe apontava a arma. Tinha-o visto entregar uma pasta ao capitão do veleiro francês. Por isso se encontrava em tão delicada situação. Sua estupidez permitiu que o descobrissem e agora... Não, definitivamente, a palavra para o desgraçado era «traidor».

Consciente da ameaça que enfrentava, desfilaram por sua cabeça mil imagens. Um torvelinho em sequência de toda sua vida em poucos segundos, que lhe pareceram eternos. Uma furiosa frustração se apoderou dele, porque teve consciência de que ia morrer, justo quando acabava de encontrar um motivo pelo qual aferrar-se à vida, uma razão pela qual lutar.

— Suponho que não há maneira de arrumar isto, como cavalheiros.

Disse para ganhar tempo, só um pouco mais de tempo, arranhar segundos à morte.

— Não, Brenton. Não há. — foi a resposta.

Adam sabia que só um milagre poderia salvá-lo. Nesse momento, perguntou-se por que tinha iniciado aquela errática investigação, ele, que nunca se teve por audaz, nem sequer ousado. Foi por honra? Esboçou uma ameaça de sorriso irônico. Sim, certamente foi isso, a maldita honra que o tinha levado à precária situação em que se encontrava. O pretexto que usava para justificar, na maioria das vezes, as ações mais desatinadas.

Doía deixar-se matar assim, sem opor resistência, como gado. Mais ainda, quando seu agressor tinha compartilhado com ele tão bons momentos; tinha chegado a considerá-lo seu amigo. Que idiota tinha sido, confiando nele. Agora, quando já era muito tarde, compreendia muitas coisas, todas as dúvidas se esclareciam. Desviou um segundo o olhar para o anel que o homem trazia na mão direita e que girava nervosamente com o polegar, deixando ver e ocultando a insígnia que creditava seu sobrenome. Pouco importava que o tivesse reconhecido e descoberto, por fim, sua traição, já que estava à mercê dele, que ia acabar com sua vida. Mas Adam tentou uma saída desesperada. A única que restava antes que o dedo de seu inimigo se curvasse sobre o gatilho: tomar-lhe a pistola. Em uma finta repentina, inclinou o corpo e se equilibrou para ele...

Chegou a tocar a arma.

Um instante sublime, que abriu um súbito caminho à esperança.

Mas Adam Brenton nunca tinha sido especialmente destro na luta corpo a corpo. Seu rival recuperou-se e aplicou-lhe uma joelhada que o dobrou em dois, fazendo-o grunhir e cair por terra.

Depois, imerso na bruma da dor, ouviu um insulto, apagado pela detonação de um disparo.

Logo percebeu que a bala atingia seu corpo. Curiosamente, não doeu. Porque a nuvem de inconsciência que começou a cobrir seus olhos o impedia. Mesmo assim, quis evitar que a areia entrasse em seus lábios, ao mesmo tempo em que se precipitava por uma rampa de escuridão em que caía, caía, caía... Em um resto de lucidez, soube que ia de cabeça ao inferno.

Quem lhe tinha disparado cuspiu sobre ele e depois o empurrou com o pé, para comprovar se seguia vivo. Assobiou e fez gestos aos marujos que trabalhavam na praia; aproximaram-se dois deles, a quem mandou que se desfizessem do corpo. Em silêncio, carregaram o Visconde de Teriwood, que já não era mais que um boneco quebrado, entraram na água e o soltaram. Ali, ficou flutuando ao compasso das ondas, enquanto eles voltavam para seus afazeres, esquecendo-se do cadáver. Rapidamente, o mar acolheu Brenton em um abraço úmido e gelado.

O olhar indiferente de seu executor, que seguia todos os passos, não deixou transparecer nada. Nem pesar, nem satisfação.




22 de fevereiro de 2015

Submissa ao Guerreiro

Série Maclerie


Aidan MacLerie é bravo, destemido e leal ao clã, mas seu coração continua insatisfeito. Até conhecer a deslumbrante Catriona MacKenzie. 

Por ser uma mulher casada, Aidan jamais teria permissão para possuí-la. 
Mesmo assim, busca sua total rendição a cada beijo. 
Quando o marido de Cat é derrubado no campo de batalha, ela fica sem recursos e com a reputação em farrapos. 
Aidan é o único homem com poder para protegê-la. 
Cat precisa apenas se submeter ao seu coração de guerreiro…

Capítulo Um

Ela não era o tipo de mulher para a qual olharia, mesmo assim, chamou sua atenção.
Aidan MacLerie decidiu parar para matar a sede num poço no meio do vilarejo antes de seguir para o castelo. Seus homens tinham continuado montanha acima para encontrar suas esposas e famílias, que os aguardavam, enquanto Aidan parou para descansar. 
Adorava o vilarejo ao redor do castelo, pois costumava encontrar companhia feminina ali e raramente se desapontava.
Ele a observou se aproximar pela borda do balde, no qual tomava água. Ela não parecia estar passeando ao movimentar os quadris exuberantes ao atravessar o pátio até o poço, vinha abraçada a um balde, pressionando-o contra os seios que ele imaginou serem fartos como os quadris. Pelo lenço que usava na cabeça, ficou claro que era uma mulher casada, ou talvez o seu tipo favorito… uma viúva.
Podia se divertir com uma viúva. Além disso elas eram experientes na arte do amor e na maneira como encaravam o mundo que as rodeava, ou seja, não tinham ilusões quanto a importância de um caso amoroso em suas vidas.
Ao chegar mais perto ela sorriu, o que o deixou enrijecido e pronto para o prazer.
Ah, sim, ela seria diferente de suas companheiras de cama, mas teriam muito prazer. Sem dúvida a possuiria.
— Bom dia — ele a cumprimentou sorrindo quando ela chegou mais perto do poço. — Deixe-me ajudá-la com isso — ofereceu, estendendo a mão para pegar o balde.
— Obrigada, milorde — disse ela numa voz doce que fez o desejo espiralar por dentro dele.
A voz era feminina e tinha o tom da luxúria, assim como o restante do corpo dela. Ela gritaria o nome dele assim que a penetrasse, conduzindo-a ao ápice do prazer. Aidan se distraiu jogando o balde dentro do poço e puxando-o cheio em seguida.
— Você sabe quem sou eu? — perguntou ele. Aidan não se lembrava de tê-la encontrado antes.
— Sim, milorde — disse ela, pegando o balde das mãos dele. — Você é o filho mais velho do conde.
— Aidan — se apresentou ele, ansioso por ouvi-la pronunciar seu nome. Sentiu a masculinidade endurecida e o sangue correr mais rápido nas veias, antecipando o que estava por vir. — Meu nome é Aidan.
— Sim, milorde — respondeu ela, afastando-se depois de inclinar a cabeça com cortesia.
Mas ele não tinha intenção alguma em deixá-la escapar antes de descobrir seu nome.
— Estou em desvantagem, senhorita, pois você sabe quem sou, mas e eu não me lembro de tê-la conhecido.
— Nunca nos encontramos, milorde. Sou Catriona MacKenzie — respondeu ela, encarando-o.
Foi quando ele percebeu que talvez ela fosse mais velha do que pensara, possivelmente até mais velha que ele.
— O que uma MacKenzie está fazendo em Lairig Dubh?
A família MacKenzie tinha sido adversária dos MacLeries por um bom tempo, até que o irmão de Aidan se casara. Rob Matheson tinha forçado as duas famílias a negociarem as desavensas, o que aliviou a tensão dos dois clãs mais poderosos das Terras Altas.
— Eu me casei com Gowan MacLerie — disse ela simples e direta, o que teria desanimado qualquer homem.
Menos Aidan.
Gowan era um dos homens de Rurik e bem mais velho que Aidan. Ele era também um treinador habilidoso de guerreiros e se ausentava de Lairig Dubh com frequência, seguindo para outras propriedades do conde.
Aidan sorriu, sentindo as possibilidades a seu favor aumentarem a cada minuto. Sem qualquer intenção de deixá-la partir, estreitou a distância que os separava e pegou o balde das mãos dela.
— Permita-me carregar isso para você.
Num primeiro momento, pela maneira como ela comprimiu os lábios adoráveis e o fuzilou com os olhos azuis, parecia que iria rejeitar a ajuda. Mas depois de hesitar brevemente, ela se virou e o conduziu por um caminho estreito que levava na direção de um grupo de chalés de camponeses.
Aidan não perdeu a oportunidade de estudar a sra. Catriona MacKenzie andando a sua frente. Mechas de cabelo castanho escapavam do lenço dela, e Aidan precisou lutar contra a urgência de soltá-los. 
Imaginou se o cabelo cairia em cascata sobre o lindo traseiro que balançava com o caminhar. Usando o balde para esconder o que pretendia fazer, ele afrouxou as calças, já que a ereção não iria ceder, pelo menos não até encontrar uma maneira de levar a sra. MacKenzie para a cama, despi-la e levá-la a se abrir para tocá-la intimamente.
Ela tomou o caminho da esquerda até parar diante do último chalé de uma série. Olhando ao redor, Aidan procurou ouvir se alguém se aproximava. Não era sempre que procurava mulheres casadas, mas também não as ignorava, principalmente aquela a quem já havia decidido assediar. 
Trataria de ser discreto e não envergonhá-la ou ao marido sem necessidade, mas não tinha dúvidas de que iria possuí-la. E logo.
Ela se virou para encará-lo, esticando o braço para pegar o balde. Em vez de estender o balde a ela, Aidan o colocou no chão e tomou-lhe uma das mãos estendidas, levando-a a boca. Ao se contrair, ela deu a entender que tinha ficado nervosa, mas logo se recompôs.
— Muito obrigada pela ajuda, milorde — agradeceu ela, tentando manter a distância mesmo que ele lhe segurasse o pulso.
— Até uma próxima vez, senhora — sussurrou Aidan...


Série Maclerie - Traduzida
1- Domando o Highlander
2- Tudo por um Desejo
3- Guerra de Paixões

Série Maclerie - Editora
1- Paixão indomável
2- O Segredo do Conde
3- Possuída por Desejo
4- O Segredo do Conde 
4.5 One Candlelit Christmas
ainda não publicado no Brasil
4,6- Guerreiro Domado
5- Amor Proibido
6- Amor Renegado
7- Tentação Perigosa
8- Submissa ao Guerreiro
Série Concluída

21 de fevereiro de 2015

O Mistério do Castelo Du Condrey

Lançamento Autora Brasileira






A vida é feita de sonhos e mistérios.

À cada dia vivemos um sonho e um mistério, que muitas das vezes não podem ser revelados sob pena de se tornarem realidade, portanto, não contrarie seus sonhos, se não quiserem vê-los reais.
"O Mistério do Castelo Du Condrey". Trata-se de uma história apetitosa que envolve suspense, romance e muito mistério.
Trata-se da história de uma garota que não queria ser normal e conseguiu o que queria, todavia como diz o ditado: “Deve-se tomar cuidado com aquilo que deseja”. 
Leia mais...

Bastardos

Lançamento de Autora Brasileira
Ryan de Murray é encarregado pelo senhor de Murray e também seu pai de criação a investigar constantes roubos que vem acontecendo na região, ele não imaginava que além de lidar com um vilarejo recentemente incendiado encontraria uma fêmea que gostava de se vestir de homem e que foi capaz de desembainhar a espada para ele.

Ryan estava acostumado a mulheres chorosas ou até mesmo fogosas, mas não impetuosas como Chloe.
Ele não entendia o porquê de ela prender cabelos tão bonitos e esconder suas formas debaixo de túnicas, nem o desejo incontrolável que sentia quando estava perto dela, mas não iria se deixar levar por uma fêmea, pois aprendeu desde cedo, com a mulher que te deu a vida, que não deveria confiar em nenhuma delas.
Chloe não iria abaixar a cabeça para um homem, já havia sofrido muito nas mãos de um para deixar que a história se repetisse, mesmo que esse homem fosse tão atraente como Ryan de Murray.


Capítulo Um 

Londres, 1086.
_ Não temos que ir, isso é ridículo. Temos pessoas inferiores para fazerem isso.
As terras de Sir. George de Murray estavam sendo atacadas por ladrões e ele encarregou seu filho de criação, Ryan, de resolver a situação.
_ Não são pessoas inferiores, são nossos amigos.
Ryan respondeu olhando para Harry, que se encontrava no canto da porta. Sempre fiel, Jack sabia muito bem magoar, mas, para Ryan, ele era um bom amigo desde os tempos de infância. Ryan mirou Jack nos olhos _ verdes como os do homem que considerava seu pai _, mas não encontrou a mesma sinceridade.
_ Se não dão o exemplo, como vou confiar em deixar minhas terras para meus filhos quando me for?
George, um senhor de meia idade, mas ainda bastante forte, cabelos grisalhos mesclando com os loiros e profundos olhos verdes, desceu as escadas e se juntou aos seus filhos que estavam no centro do salão.
O solar estava vazio, sem nenhum criado, pois mal havia amanhecido.
_ Harry. _ George o cumprimentou.
Harry respondeu ao cumprimento de seu senhor apenas com um aceno de cabeça.
_ Então eu acordo e, para variar, meus queridos filhos estão brigando…
_ Não há mais briga. Se não quer vir, não venha, Jack. Chamei-o para não dizer que faço tudo pelas suas costas, como costuma dizer a todos.
_ É o responsável por acabar com tudo isso. Eu não sirvo para nada, não é Sir. George de Murray? Ama-o como se fosse seu sangue e não ama a mim?
Jack não esperou a resposta, saindo a passos largos da porta onde Harry estava parado, quase o derrubando.
_ Não ligue. Para mim é tão meu filho quanto ele. Isso não tem a ver com ciúmes, Ryan, mas com a frustração que ele sente em saber que você é muito mais competente do que ele. Agora vá, temos que pegar logo esses ladrões.
Ryan, Harry e mais quatro homens montaram em seus cavalos. Tinham que se apressar antes de o sol ficar alto, pois os ladrões costumavam atacar o povoado no início da manhã.
_ Acha mesmo que vamos conseguir? Já tentamos tanto e eles são muito espertos, estão sempre um passo a frente de nós... _ Harry tinha cabelos e olhos escuros como o amigo, mas o físico não tinha comparação. Enquanto Ryan era alto, com músculos bem definidos, Harry era baixo e robusto, porém dificilmente perdia uma briga.
_ Harry. _ George o cumprimentou.
Harry respondeu ao cumprimento de seu senhor apenas com um aceno de cabeça.
_ Então eu acordo e, para variar, meus queridos filhos estão brigando…
_ Não há mais briga. Se não quer vir, não venha, Jack. Chamei-o para não dizer que faço tudo pelas suas costas, como costuma dizer a todos.
_ É o responsável por acabar com tudo isso. Eu não sirvo para nada, não é Sir. George de Murray? Ama-o como se fosse seu sangue e não ama a mim?
Jack não esperou a resposta, saindo a passos largos da porta onde Harry estava parado, quase o derrubando.
_ Não ligue. Para mim é tão meu filho quanto ele. Isso não tem a ver com ciúmes, Ryan, mas com a frustração que ele sente em saber que você é muito mais competente do que ele. Agora vá, temos que pegar logo esses ladrões.
Ryan, Harry e mais quatro homens montaram em seus cavalos. Tinham que se apressar antes de o sol ficar alto, pois os ladrões costumavam atacar o povoado no início da manhã.
_ Acha mesmo que vamos conseguir? Já tentamos tanto e eles são muito espertos, estão sempre um passo a frente de nós... _ Harry tinha cabelos e olhos escuros como o amigo, mas o físico não tinha comparação. Enquanto Ryan era alto, com músculos bem definidos, Harry era baixo e robusto, porém dificilmente perdia uma briga.
Nenhuma palavra precisou ser dita, todos os seis, imediatamente, desceram dos seus cavalos e apenas um ficou tomando conta dos animais.
Ryan foi na frente e desembainhou a espada, mas não havia ladrões, apenas uma senhora e um jovem sorrindo, provavelmente de alguma brincadeira.
O jovem imitou o gesto de Ryan desembainhando a sua própria espada.
_ Calma, calma, sem briga. _ Harry falou colocando as mãos para cima em um gesto brincalhão. _ Nós não batemos em crianças.
_ Não sou criança. _ O jovem falou se lançando para frente, mas a senhora o deteve.
_ Homem que não é com essa voz…

Leia o Primeiro capítulo na Biblioteca em Títulos: Bastardos
Aqui o ebook completo

17 de fevereiro de 2015

Guerreiro Domado

Série Maclerie


   
Laird Connor MacLerie é implacável, um fato que a esposa Jocelyn, sabia muito bem. 

Principalmente quando se trata de arranjar casamentos para os membros do seu clã. 
Embora eles tenham encontrado felicidade e paixão, Jocelyn foi comprada como uma noiva para Connor e não quer ver outra mulher na mesma situação.
Ela planeja um casamento em seus termos, mas só será bem sucedida se conseguir domar o seu marido!

Capítulo Um

Broch Dubh Keep
Lairig Dubh — Oeste da Escócia — Verão de 1370
— Há um ladrão aqui em Lairig Dubh.
Connor MacLerie, líder do clã e conde de Douran, verificou seu cofre mais uma vez. O cadeado não cedeu nem quando ele o balançou, provando que era seguro, mas as manchas no pó ao redor da caixa eram uma prova de que alguém tinha estado ali.
Connor se virou para seu homem de confiança, Duncan, que cuidava dos assuntos financeiros do clã MacLerie, e Rurik, responsável pela segurança do clã, em tempos de paz ou guerra. Os dois reagiram conforme o previsto.
— Aqui? Debaixo dos nossos narizes? — indagou Rurik ao se aproximar por cima do ombro de Connor para olhar onde estavam todos os documentos importantes e registros do clã MacLerie. Rurik era o único homem mais alto que Connor. — Nay, ninguém entra no castelo sem minha aprovação.
— Está faltando alguma coisa? — perguntou Duncan, cruzando os braços. Sempre pragmático, levantou o queixo e avaliou o cadeado. — Eu revisei alguns acordos na semana passada.
— Nay, não notei nada, Duncan. Foi a mesma coisa de antes, tudo foi mexido, mas não levaram nada. Está intacto.
Connor tinha perguntado inclusive a Jocelyn se faltava alguma chave no seu molho, mas ela negara.
— Isso não faz sentido algum. — Duncan meneou a cabeça. — Por que invadir com o perigo de ser preso se não queriam levar nada.
— Ou, então, não encontraram o que procuravam — comentou Rurik. — Quantas vezes isso já aconteceu?
Connor fez um sinal para que o seguissem até um canto dos aposentos dele e de Jocelyn antes de responder.
— A primeira vez foi há alguns meses, mas pensei que tivesse sido eu mesmo. Mas com essa é a quarta vez, e a última foi há poucos dias.
— Teremos muitos visitantes no vilarejo e no castelo por causa da festa de casamento amanhã. A coincidência é suspeita — acrescentou Rurik, franzindo o cenho.
— Fique alerta, Rurik. Ninguém deve entrar nesses aposentos. Vou mudar isto…
A porta abriu num repente, e Jocelyn entrou com os olhos arregalados e quase sem ar.
Apesar de casados havia quase duas décadas, a beleza dela ainda impressionava Connor. O cabelo castanho tinha mechas de fios grisalhos, e seus olhos verdes brilhavam vívidos. As gestações tinham alterado o corpo dela um pouco, mas ele ainda reagia a sua simples presença. Entretanto, com a idade chegando, ele temia que o desejo fosse diminuir, algo que Jocelyn não deixaria de comentar. Deus o livre, aye, seu corpo jamais o trairia.
— Jocelyn? — perguntou Connor.
Ela parecia assustada e sorriu ao encontrar todos ali, mas não foi muito convincente.
— Aconteceu alguma coisa?
— Nay, Connor. Bom dia, Duncan. Rurik… — cumprimentou ela os outros dois, meneando a cabeça, mas não entrando no quarto. Não olhou diretamente para o marido, o que o deixou desconfiado. — Seu tio estava procurando por você há pouco. Vocês se encontraram? — perguntou ela, ainda sem encará-lo.
— Nay, mas vamos encontrá-lo agora.
Duncan e Rurik entenderam que a pequena reunião havia terminado e saíram do quarto. Jocelyn entrou logo em seguida e olhou ao redar.
— Alguma coisa mais? — perguntou ele, desejando possuí-la ali mesmo.
— Nay, só isso — respondeu Jocelyn, dirigindo-se para a porta de novo.
Alguma coisa estava definitivamente errada.
Connor estava quase certo de que ela notara o quanto ele estava excitado, mas ou tinha fingido não perceber, ou o tinha evitado. Eram raras as vezes em que ela recusava um convite daqueles.
Jocelyn não chegou até a porta porque ele a puxou e a abraçou pela cintura, beijando-a com volúpia, as línguas se encontraram para um bailado único. 
Preocupada que estava, ela chegou a resistir, mas logo correspondeu ao beijo, enlaçando-o pelo pescoço. Aos poucos seus lábios fartos se aqueceram, e ela se deixou levar pela paixão. Jocelyn sempre despertara a luxúria de Connor independentemente de hora ou lugar.
Como se a quisesse devorar, ele embrenhou os dedos pelo cabelo longo, deliciando-se com aquela boca bem desenhada. O sabor dos lábios era doce, como se ela tivesse terminado de comer os quitutes que a cozinheira havia preparado para o casamento do dia seguinte.
No entanto, nada era tão tentador quanto o sabor da pele de Jocelyn. Assim, parou de beijá-la para percorrer o pescoço dela com a ponta da língua, deixando um rastro em brasa por onde passava. Com as mãos em concha, aprisionou-lhe os dois seios, prendendo os mamilos entre os dedos através do vestido. Não demoraria muito para se livrarem das roupas e se amarem ali mesmo. Mas foram interrompidos bruscamente por batidas fortes na porta.
— Connor! — o chamou Rurik, subindo as escadas.
Com o calor que envolvia seu corpo e o coração transbordando de tanto amor, Connor quase permitiu que o beijo apaixonado fosse visto por Rurik… Duncan… 


Série Maclerie - Traduzida
1- Domando o Highlander
2- Tudo por um Desejo
3- Guerra de Paixões

Série Maclerie - Editora
1- Paixão indomável
2- O Segredo do Conde
3- Possuída por Desejo
4- O Segredo do Conde 
4.5 One Candlelit Christmas
ainda não publicado no Brasil
4,6- Guerreiro Domado
5- Amor Proibido

A Bailarina Misteriosa







De seu camarote forrado de veludo dourado, o príncipe Ivan Volkonski via a jovem dançarina mover-se com graça, ao som da música doce e romântica. 

Quando o espetáculo terminou, o pano desceu e os aplausos foram frenéticos.
A bailarina não voltou para agradecer os aplausos. 
Desapareceu pelos fundos do teatro, fugindo como fazia todas as noites. 
Inconformado, o príncipe decidiu descobrir onde se escondia a bela misteriosa. E, se a encontrasse, iria confessar-lhe seu grande amor!

Capítulo Um

1867
— Sua Alteza, o príncipe Ivan Volkonski! — um lacaio com a libré da embaixada britânica anunciou em voz bem alta.
Lorde Marston, que escrevia uma carta, levantou a cabeça, incrédulo; depois, pôs-se de pé num salto e exclamou:
— Ivan, meu caro amigo! Não tinha ideia de que você se encontrava em Paris.
— Acabei de chegar. Fiquei encantado quando soube que você estava aqui.
— Fui mandado a Paris para fazer a reportagem sobre a Exposição Internacional. Mas, agora que você chegou, vou negligenciar um pouco minhas obrigações, e podemos nos divertir.
— Sem dúvida. — O príncipe sentou-se numa das confortáveis poltronas da sala.
Lorde Marston e o príncipe ,— este primo do czar, eram amigos íntimos desde muito jovens, pois o pai de lorde Marston fora embaixador em São Petersburgo. Tinham os dois a mesma idade, e ambos estavam frequentemente envolvidos em orgias, tanto na Rússia como na França e Inglaterra. Eles escandalizaram a sociedade desses três países. Mas o príncipe era o maior culpado de tudo, porque lorde Marston, inglês de hábitos mais rígidos, jamais embarcaria nessas extravagâncias por si só.
Naquele instante, Marston sorria de prazer ao ver o amigo russo, e perguntou-lhe:
— Diga-me, Ivan, o que o traz aqui?
Os olhos do príncipe, sua principal atração, brilharam. Eram cor de violeta, com cílios escuros, e revelavam em sua profundeza todas as emoções. Talvez fossem aqueles olhos a causa de o príncipe ser tão assediado por mulheres, que ficavam de coração partido quando ele as deixava, o que acontecia em geral após curto tempo! 
Mas o príncipe tinha também feições clássicas, e um belo físico evidenciava sua vida passada em grande parte na sela de um cavalo. E até mesmo na corte da Rússia, em meio aos atraentes homens que frequentavam a sociedade do czar, Ivan se sobressaía.
— Quem desta vez o fez vir até aqui? — perguntou-lhe novamente lorde Marston.
— Ela era linda e tentadora! — O príncipe sorriu. — Mas tudo tem um fim, e quando o czar, a pedido da czarina, protestou contra meu procedimento, achei que minha ausência do país seria a melhor solução.
— Pensei que você tivesse vindo à procura das mulheres de Paris. De qualquer maneira, encontrará aqui os antigos flertes esperando por você, e muitas outras beldades que deliciarão sua vista. Como pode concluir, muitas delas vieram para a Exposição Internacional. Aliás, Paris está superlotada.
— Foi o que imaginei, Marston. Mas garanto que, como velhos habitués dos mais exóticos cabarés, nossa entrada não será impedida.
— Não mesmo — respondeu lorde Marston.
O príncipe não somente era muitíssimo rico mas extremamente pródigo no que dizia respeito ao seu dinheiro. Ninguém melhor que ele conseguiria obter uma boa frisa num teatro, a melhor mesa num restaurante e convites nas mansões da moda.
— Como está a Rússia? — indagou lorde Marston.
— Intolerável — foi a breve resposta.
— Que houve agora? Achei que tudo ia se transformar num mar de rosas após a emancipação dos escravos.
— Achamos também que teríamos uma permanente idade do ouro, mas os camponeses não entenderam bem a responsabilidade que caberia a eles com a posse dás terras.
— Eu estava presente naquele domingo, quando se leu a proclamação do fim da escravatura em todas as igrejas. O czar Alexander foi cognominado de “O Czar Libertador” — observou lorde Marston. — Ainda posso ouvir os aplausos da audiência.
— Não os esqueci tampouco — replicou o príncipe. — O êxtase do povo foi indescritível.
— Então, o que houve de errado?
— Os escravos libertos acreditaram que o czar lhes dera as terras de presente, sem ônus de espécie alguma. Depois, foram informados de que deveriam pagar impostos; e isso os fez mais pobres ainda, embora livres.
— É possível?!

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